segunda-feira, 9 de março de 2015

Amor próprio

Fonte: Google


A máxima “ame-se em primeiro lugar” nunca fez tanto sentido. Se no século passado aprendemos a nos doar por inteiro aos maridos, filhos, casa e afazeres domésticos, a mulher foi mudando sua trajetória na evolução dos tempos. Hoje vamos sozinhas aos bares, festas, viagens e nos damos ao direito de fazer o que quisermos de acordo com nossa consciência.

No entanto, toda mulher quer, também, ter o direito de amar. Não importa qual o modelo de amor. Algumas irão querer um conto de fadas mais atual, com o cara bem sucedido amante de fetiches, que acaba por se apaixonar por aquela que se acha desengonçada e nada sexy; outras irão querer uma história do tipo “sempre fomos amigos e nunca te enxerguei”; haverá aquelas que desejam um romance casual, sem conexões, sem cobranças e, outras tantas mulheres desejarão diversos modelos e formas de amar compostas em sua mente por cada uma que nem saberia descrever.

Certo é que não somos mais como nossas avós e mães que foram criadas para ser uma dona de casa exemplar, para casar e permanecer em um matrimônio por toda eternidade. Hoje, questionamos os relacionamentos, não calamos, nos reinventamos se preciso for e nos arriscamos (até não poder mais!). “Vale tudo” como dizia Tim Maia...só não vale a gente machucar a alma em prol de alguém que no final das contas quer o oposto do jogo que você está disposta a jogar.

Se aos vinte e dois anos a gente se sujeita ou se arrebenta por um sentimento e pelo “príncipe” nada encantado, aos trinta e poucos a gente pode até ir à beira do abismo, mas pode se dar ao direito de voltar atrás e, não se atirar, porque já conhece as marcas de um tombo inconsequente.

Pode ser que isso seja o indício de um amor próprio sem fim. Amor que a gente começa a dar a si e outros que fazem parte de nosso dia a dia. Há muitas formas da gente enxergar o mundo bem mais amplo do que um simples ou grande objetivo. Nos caminhos que vamos construindo todos os dias, muitos passam, outros fogem, alguns se aproximam, fingem ou demonstram suas intenções e outros acabam se indo como as estações que vivenciamos nos 365 dias de um ano.

Garantia nunca haverá. Há uma teoria que a cada encontro que a vida nos proporciona é como se comprássemos um bilhete de loteria: você pode ser o grande premiado ou se quer ganhar na quadra ou na quina. Assim, vamos apostando quando “bem nos der na telha”; algumas vezes mais do que devíamos e noutras bem menos por simples precaução.

Apostas à parte, escolhas nunca são fáceis. O amor próprio não é simples, é uma construção diária de uma rede indefinida, porém muito construtiva; é colocar-se em primeiro lugar em alguns momentos; ser um pouco racional quando o coração grita ou deseja demais. É dizer o “não”, porque sabe que dizer “sim” só beneficiará apenas a uma pessoa e não a duas; abandonar ilusões; colocar-se a um passo no futuro e ver o que lhe vale mais. Ter amor próprio é fazer a sua vontade valer mais do que a de outro; é soltar aquele grito preso na garganta e acreditar que no virar de uma esquina a resposta virá...de alguma maneira.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Mudanças





Fonte: Google


Você quer mudar? Então vamos! Mudar não é fácil, seja de país, estado, cidade, de bairro, de casa ou apartamento, mudança de atitude ou comportamento, mudança de hábito, de pensamentos ou mudança de estado civil.

Quando mudamos experimentamos um pouco de tudo. Há gente que guarde em seu DNA a mudança, que aprecie e necessite disso como quem precisa da luz do sol, no entanto haverá outros que não abraçarão a transformação nem por um decreto.

Certo que mudar tem suas consequências e um longo caminho a percorrer. Quando mudamos de casa ou apartamento o processo envolve encontrar o frete ou transportadora mais barata, recolher móveis, roupas e algumas “quinquilharias”, doar algumas coisas que não se quer mais, identificar caixas para encontrar seus pertences com facilidade e carregar incontáveis vezes tudo que tem na casa antiga para a nova. Em sua nova morada você experimenta a desilusão de que suas prateleiras ou roupeiro não cabem no novo quarto, de que o espaço é menor do que o anterior ou maior e você precisará de mais móveis.

Mudar de comportamento e hábitos é se policiar constantemente...pura disciplina para se chegar onde se imagina, ser melhor ou mais saudável.  Às vezes a mudança chega repentinamente que não há tempo ou maneiras de resistirmos a ela. Tenho para mim que seja a vida nos empurrando para etapas que estamos preparados ou aptos a vivenciar. Como navegar em um barco que vai sendo levado pela correnteza onde alguns dias o rio é mais manso e é possível aproveitar a paisagem e, em outros, vamos descendo em uma velocidade tão forte que a única saída é segurar no barco e simplesmente ir.

Nunca mudei de cidade, quanto mais de país. Contudo, deve ser assim: frio na barriga constantemente, a final você está pisando em solo estrangeiro! Todos os dias conhecendo um pedaço de seu novo país e bairro, as lojinhas que ali residem, os mercados e a vizinhança. Acostumar-se com o idioma alheio, com as gírias, com a linguagem, com os costumes e as manias.

Mudar é como experimentar ser totalmente anônimo. Ninguém sabe quem é você, o que você já fez, do que gosta o que lhe emociona e o que lhe empolga. As pessoas não sabem seu nome, o seu dia da semana preferido, as músicas que você costuma ouvir, desconhecem quem é sua família e quem são os seus amigos especiais. Você, por alguns meses ou anos passa a ser “só mais um alguém na multidão”.

Eis que enquanto todos ignoram sua identidade, você vai se acostumando com sua nova realidade. Observa todas as manhãs os costumes de outro alguém; caminha e explora as ruas do bairro, aprecia alguma iguaria na padaria da esquina e conversa com alguém que te dê a chance de uma simples troca de ideias e do conhecimento das diferenças culturais que existam entre você e seu novo amigo. Haverá sempre alguém nesse novo mundo para acolher um simples e deslocado estrangeiro!

No mapa da mudança todos os dias tem espaço para saudades, para o suporte das pessoas mais próximas que você mantém vinculo e que enxergam melhor do que você que “mudar é preciso”, que “dói e é estranho no começo, mas passa”, temos alguns motivos para sorrir, novos olhares, a surpresa de alguém que nunca lhe viu assegurando que tudo dará certo, oportunidades e uma vasta roda gigante de emoções. São 24 horas de borboletas no estômago, pensamentos reflexivos, vontade de voltar para casa e a ciência de que a vida anda para frente. O tempo para que tudo isso passe é muito relativo. Quando você perceber já será integrante do país escolhido, estará inserido profundamente e naturalmente. A constatação desse processo será de que “o corte do cordão umbilical” era necessário para que passos novos fossem seguidos e objetivos atingidos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Câmbio (mensagem pra você)

Imagem: Google


Oi você
Como vai?
Tudo bem?
O que anda fazendo por aí?

Oi você
Estou tentando me aproximar
Mas sabe como anda corrida a vida
Então ainda não deu tempo de seguir suas pistas

Oi você
Quer saber meu nome?
Eu quero descobrir alguma fórmula
Alguma coincidência que me traga para mais perto de você

Estive pensando ao ver o pôr do sol
Acho que você gostaria de saber que aprecio essas coisas
Ah queria te contar algumas coisas da semana passada
Trocar algumas palavras 
Degustar aquela garrafa de vinho 
Ou quem sabe uma cerveja?

Não precisa ser eu aqui e você aí
Poderia ser eu e você em qualquer lugar dessa cidade
Oi você, será que está me ouvindo?
Me dê um espaço
E prometo não tomar conta de tudo

Que tal somar?
Eu levo meus amigos
Você leva os seus
Eu levo minhas histórias
Você leva as suas

Ei você, vamos passear no parque?
Pode ser no começo de tarde
Ou no final do dia
Vamos apreciar alguma de nossas estações

Oi você, será que demora muito?
Será que ainda andaremos em compassos diferentes?
Será que algum dia andaremos juntos?
Será que você abrirá sua vida para mim?
Haverá tempo ainda?
Ei você, estou aqui...
Mesmo Estado...às algumas quadras de algum lugar 
em que você esteja.
Cambio desligo!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Passagem para o futuro

Imagem: Google


O presente façamos agora
Todos os dias compondo uma parte dessa canção
Eu na voz e você no violão
Deixando os acordes formarem uma simples melodia

Hoje, amanhã ou agora
Quanto tempo demora?
Que horas que sairá esse voo?
A sua poltrona será ao lado da minha?

Façamos agora
Façamos sem demoras
Aquele voo nos espera
Para qualquer lugar que quisermos

Existem muitas paisagens a serem vistas
Algumas outras revividas
Há muitas músicas a serem cantadas
Outras tantas para serem conhecidas

E há tantos risos
Tantas histórias para contar
Tantos momentos para dividir
E a impressão de que o tempo pára
Somente para você e eu

Já faz tempo que comprei essa passagem
É o mesmo voo
Em uma certa hora e em um dia que não me foram informados
Não sei quem estará lá
E nem mesmo o lugar que iremos

Já estou com as malas prontas
Não levarei muitas coisas
A não ser todas as histórias já vivenciadas
Toda a gente que ainda faz parte dos meus dias
E, claro, você.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Diálogo


Fonte: Google

Estive pensando nos últimos tempos
Caminhando por alguns caminhos
Olhando o pôr do sol
Acreditando e algumas vezes desacreditando

Estive nos mesmos lugares
Também descobrindo novos
Conhecendo e desconhecendo pessoas
Mudando a direção conforme o vento

Andei calada
E alguns dias absurdamente barulhenta
Dentro de meus próprios pensamentos
Pensei no melhor e até no pior

Aqui estou eu..."Just me"
E a melhor saída?
Seguir sempre em frente
Nessa estrada diante de nós

Me deparo com novas canções
E com pensamentos diferentes
Me equivoquei, me curei e me reinventei
Para hoje estar aqui

Dessa janela estou apreciando o horizonte...
Estive obervando você enquanto não me vê
E daqui onde eu estou não pode me ver
Não sei ainda se quero ser vista
Por isso escapo e me abstruso

Algumas vezes sou sujeito oculto
Me perco no tempo
Sou uma lembrança desfigurada ou apagada
Com histórias para contar

Nesse diálogo unilateral
Estive pensando nas ideias sem sentindo
Aquelas que não nos levam a lugar algum
Ouvindo baladas...
Não cheguei à conclusão alguma...
Pensando que a ideia é boa,
Porém sempre haverá dúvida em todas as possibilidades.

domingo, 17 de agosto de 2014

Atrasados (Parte II)

Fonte: Google






Quem nunca chegou atrasado? Tem aquele dia em que por mais que você acorde e saia de casa cedo, corra para chegar no horário, ainda assim chegará atrasado. Alguns acreditam que chegar atrasado pode ser coisa do Divino: “quem sabe ter chegado tarde não foi melhor assim...”.

Chegar atrasado ao trabalho, na festa, na manicure ou em algum outro tipo de compromisso. Para cada situação há uma sensação. Na festa você certamente vai causar curiosidade aos olhos daqueles que se anteciparam, em um show ou em um filme vai ser constrangedor - já imaginou ter que discutir com alguém que sentou em sua poltrona, pois era o melhor lugar e porque tudo indicava que você não iria ao show? -, no trabalho o dia se resumiria em tumultuo ou pior do que isso se você tiver um gestor controlador.

E nas relações, você já se sentiu “atrasado”? Há dias em que você constata que muitos se encaixam, no entanto você não faz parte desse grande quebra-cabeça. Como se tivesse chegado atrasado, como se não existisse alguma companhia que se recordasse ou sentisse falta de sua presença para uma volta ali na esquina, para jogar conversa fora, para não fazer nada em especial ou para um grande projeto.

O mundo lá fora está todo formado, parcerias estabelecidas e você simplesmente chegou atrasado! Não há mais ninguém para formar irmandade com você, para te dizer: “vamos nessa?!”. Coincidentemente estava uma tarde dessas à procura de um filme e me deparei com um desses típicos da “sessão da tarde”, mas com um fundo complexo.

O filme contava a história de um garoto que não tinha amigos. Na verdade ele tinha, mas seu amigo inseparável havia optado por ceifar sua vida sem deixar razão ou algo que o garoto pudesse ajudar ou compreender a respeito da escolha dele. Eis que no ano seguinte sua vida se transforma de alguma forma quando conhece outro garoto e uma menina e, através dessas pessoas, conhece mais outras e começa a fazer parte daquela turma de indivíduos divertidos, distintos e interessantes.

Uma cena roubou minha atenção. Depois de uma festa, os dois garotos e a menina voltam para casa de carro, na estrada, ouvindo canções; começa a tocar em uma fita cassete a música “Heroes” na voz de David Bowie. A garota elogia o gosto musical do até então rapaz solitário citado acima, na estrada, os três ultrapassam um túnel com paredes cobertas por um material que lembra azulejo; a garota se levanta, coloca a cabeça para fora do teto solar e abre os braços diante do vento gerado com o movimento da caminhonete que percorre a autoestrada. Naquele instante o menino solitário olha sorrindo para seu novo amigo e diz: “Eu me sinto infinito”.

Talvez seja exatamente assim como no filme, somos infinitos ao lado daqueles que nos tocam pela vida a fora. Até para quem chega atrasado ou por último deve restar uma ponta de algo para fazer parte ou ser chamado para grande festa que é compartilhar. Pessoas seguem sendo elementos transformadores uma na vida da outra, poetas e pensadores já nos explicaram – ou tentaram explicar - as razões pelas quais todo aquele que cruzar nosso caminho conte tanto para nossa existência e faça tanta diferença (positiva ou negativamente). A dúvida que fica é se a gente realmente faça alguma diferença (positiva).

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Autorretrato

Fonte: Google


A janela de um ônibus é perigosa para quem se perde em pensamentos. Certo dia ao encarar a hora do rush, sem qualquer sombra de sono – às vezes o embalo de um ônibus é convidativo para um apagar ou outro de consciência – fiquei pensando algo sobre mim.

Sobre linguagens na escrita, o poeta costuma ser aquele que fala de sua dor, de seus medos, de seus prazeres ou qualquer outro motivo, como se não fosse ele quem estivesse vivenciando aquelas sensações - e nem sempre é - ele se torna a voz de outros indivíduos, de alguma maneira traduz em palavras para que alguns seres, que nunca cruzaram seu caminho, possam vivenciar dos mesmos sentimentos.

Assim, nesses devaneios, de um quarteirão a outro vi mulheres elegantes, com seus casacos de lã três-quartos, suas jaquetas de couro, suas roupas de causar inveja a qualquer ser da mesma espécie, suas unhas pintadas e brilhantes como se acabassem de sair de uma manicure, com seus cabelos escovados e esvoaçantes, com suas bolsas e sapatos deslumbrantes. 

Aquela imagem me levou a um pensamento: Não sou nenhuma delas! Verdade, não sou cheia de charme, não sou diva, não tenho esse traquejo, sou mulher comum. Sou mortal, “sujeitinha” simples de uma oração sem complemento nominal, daquelas que você vê por aí andando algumas vezes cabisbaixa ou com a cabeça na lua. Se tiver brilho, acredito que ele se esconda das sete da manhã até o final do dia, talvez não tenha a mesma vivacidade dos finais de semana. 

Ainda assim, admiro todas essas mulheres que não sou; que não fui e não vou. Elas se destacam na multidão, são belíssimas e musas de um Olimpo que nunca pertenci. O penar não existe, pois há muita mulher comum por aí, sem que jamais se pronunciem! Assim, ser comum não de todo ruim, você descobre que enquanto é comum você desfruta do ato de observar as pessoas e o movimento a sua volta, você ri de si mesma, e não tem obrigação de ser magnífica o tempo todo.

Ser comum não é ser feia ou qualquer outro adjetivo pejorativo, por favor, não disse isso! Há de ter o dia em que até mesmo uma diva já foi comum! No final somos todos comuns: quando nos sentimos sós; quando nos enganamos; quando descobrimos que sentimentos recíprocos não caminham exatamente da maneira que criamos em nossas fantasias. 

Somos todos comuns quando estamos em uma cama ou na fila de um hospital, quando somos apenas mais um número no local de trabalho, quando somos esquecidos, quando não temos emprego, quando passamos por dificuldades...infinidade de motivos para vermos que somos todos comuns.

Somos comuns, mas há quem diga que algo sempre nos definirá ou saltará aos olhos daqueles que enxergam além de qualquer aparência exterior. É bonito sim ver todas essas mulheres com seu poder de elegância, afinal o dom que você tem deve ser utilizado! Entretanto, em certos dias as mulheres comuns, também, têm seu dia de glamour, esbanjam sua elegância, por isso ao final de tudo somos todas iguais, somos seres humanos, somos mulheres.