domingo, 20 de dezembro de 2009

Frutífera árvore natalina



Imagem: wallpapersbrasil

Então é natal...não, não irei cantar a canção que se eternizou na mente do mundo, até porque eu não me atreveria. Natal guarda uma porção de significados: quando eu era criança era sinal de que minha mãe teria dinheiro para comprar o que eu passava o ano todo sonhando; quando cresci um pouco mais, era a certeza da família reunida e para ver o brilho no olhar de meu avô e minha avó quando meu tio chegava. Eles amavam todos os filhos, mas eram encantados pelo filho homem, assim como minhas tias e mãe eram encantadas no meu tio - não adianta, os homens da família exercem grande magia para sua mãe, pai e irmãs.

Eis que se passaram mais anos, e o natal tinha cheiro de novidades no ar. Os primos cresceram, algumas mudanças e surgiram pessoas novas para compartilhar o momento. Todos foram bem-vindos e isso ajudava a gente a esquecer que meu avô e avó não estavam mais presentes na ceia de natal. Com a maturidade eu comecei a crer que o natal era muito mais do que presentes trocados, essa loucura insana das pessoas nas lojas gastando o que podem e o que não podem. Natal não pode ser somente isso!

Hoje sentada no sofá imaginando como será minha ceia de natal – certamente haverá aquele momento de vazio, saudade, algo inevitável quando você percebe lugares vazios à mesa – só posso crer que o natal é o momento em que a gente deveria abraçar mais. Não espere um presentão e nem um presentinho, mas deseje ardentemente que as pessoas passem a ajudar umas as outras. Pode ser uma ajuda afetiva, alguma ação que não envolva dinheiro, objetos materiais ou quem sabe ajudar alguém em seu caminho tortuoso.

Na minha árvore de natal eu quero colher são os frutos da verdade, da amizade, do amor verdadeiro, do respeito e do carinho mutuo. Óbvio que não adiantará de nada esperar que todas as pessoas carreguem isso consigo e em seus olhares, até porque, me desculpe, mas este mundo anda muito carente destas pessoas. Tenho uma teoria de que para cada 10 pessoas em uma sala, é possível, que haja apenas duas que carreguem esta beleza dentro do coração. Que triste não?

De qualquer forma, se você quer uma árvore de natal mais carregada de frutos bons, faça a sua parte: estenda a sua mão e coloque alguém “perdido” em seu real caminho. Parece bíblico isso, mas o real significado do natal “people” é lembrar que não somos apenas carne e sim espírito. Que existe uma força maior no universo, que pode ser Deus, Buda, Krishna ou Oxalá e que junto desta força há Àquele que nasceu há muitos anos atrás trazendo seus exemplos de sabedoria, amor, fraternidade nos acolhendo com seus ensinamentos e curando nossas feridas de alma.

Como seria bom se todas as coisas ruins cessassem na noite de natal e que as pessoas mudassem seus pontos de vistas egoístas; que de repente a vida fosse como era antes com sabor de infância; que houvesse mais igualdade; que a gente pudesse andar sem medo nas ruas; que também não temesse amar e ser amado; que não houvesse tantos joguinhos entre homens e mulheres e que a casca que carreamos não fosse tanto importante, mas sim o que levamos por dentro, nossa criação e ensinamentos. Eu teria uma listinha infindável de pedidos e tenho absoluta certeza, de que você aí do outro lado também tem a sua. Não são pedidos pra Papai Noel, ele não é astro principal da noite de natal – embora a gente aprenda desde criança que ele é o vovô feliz que nos traz presentes – mas são pedidos para o universo e para as duas forças maiores que conto todos os dias de minha vida. Feliz Natal e que em 2010 a vida possa mudar pra melhor e que hajam boas surpresas para compartilharmos em forma de verso ou de crônica.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Saudades



Imagem: Giu arndt

Quando eu sentir saudades de você irei cantar uma canção
Irei declamar um verso
Irei olhar as nuvens no céu
Irei encarar o sol de frente

Quando de repente me bater uma saudade da tua companhia
Irei deitar em uma grama verde
Espalhar meus cabelos sobre ela
Ouvir dos pássaros uma cantiga especial

Se eu sentir tua falta em uma manhã ou tarde qualquer
Irei pensar que no mundo não vive somente eu e você
Há muitas pessoas neste nosso mundo de Deus
E que o tempo não iria parar para que pudesse nos esperar

Pensando em você
Imediatamente irei lembrar de um semblante infantil
Uma peripécia inocente
Uma tarde de domingo descompromissada

Quando eu pensar em você
Sempre irei pensar com muito carinho
Não sei porque, mas é isso que me despertas
E que a gente acabou seguindo cada qual um caminho

Um dia de sol
Uma noite estrelada
Uma primavera florida
Um mar de ondas tranqüilas

Sempre irei pensar em você
E quando pensar não será um peso
Será sempre uma pergunta
A qual nunca terei resposta.

PS: Essa época nos deixa saudosos...estava andando de ônibus pela cidade, num dia de sol e de repente me lembrei...veio-me na mente a canção daqueles dias e assim nasceu eternizou-se este poema! Um beijo para vocês que gostam de doces palavras...e doces lembranças!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Rodar a baiana é bom



Imagem: milliondollarbabymovie.warnerbros.com/images/

Nas conversas na madrugada estava conversando com uma amiga sobre a maravilha de “rodar a baiana”. Se você não sabe o que significa essa expressão – o que acho difícil – no meu entendimento rodar a baiana é você não levar desaforos para casa.

O indivíduo que não leva desaforos para casa deve ser realmente mais feliz. Não me incluo nesse rol de “rodadores de baiana” porque não exercito essa arte. Estou no rol dos que acabam sendo mais cordiais ou que mais tarde se culpam por não ter dito algumas poucas e boas para quem pisoteou nos meus “calos”.

Então eu seria mais feliz se da última vez eu tivesse dado meu recado “nu e cru” para o sujeito que me disse o que bem quis sem ter lhe dito o que eu pensava. E o que penso é profundo, o indivíduo não compreenderia. Não entenderia que pessoas profundas como eu não saem falando bobagens a torto e a direita para quem não mereça – para amigos a gente pode ser livre para falar o que pensa.

Certamente a pessoa não perceberia que os valores de vida são diferentes e que passei da fase de infantilidade/adolescência. A busca desse lado da vida adulta é forte e ferrenha, mas sem jamais perder a doçura. Não pediria que me compreendesse, mas deveria ter dito que segundas oportunidades são para ser requisitadas quando você realmente tem algo importante e inovador para dizer.

No mercado das oportunidades há muitos na fila sem nem planejar ao menos o que irá fazer para chegar lá. No resumo da ópera são muitos querendo uma chance, mas sem pensar que do outro lado há um coração, uma pessoa, um universo e também um desgaste de tempo e de energia, quando voltamos ao passado, para resgatar algo que nem deveríamos olhar para trás.

Mil verdades eu deveria ter dito, mil verdades eu não falei. Acho que até mesmo eu perdi a minha chance, algo que só acontece de anos em anos. Algo que eu nunca saberei. Concluo que passei para o final da fila, resta-me em outra oportunidade decidir mais uma vez se eu irei para o rol dos “rodadores” ou daqueles que se mantêm frios e intactos como se nada tivesse acontecido (mas com o coração dilacerado até a última veia).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Família



Imagem: Galeria de NotYeTheDodo

Nesta época em que as relações parecem muito superficiais e em que a família foi se transformando ao longo do tempo, ainda tenho o sentimento de que família é fundamental. A gente não a escolhe - não a sanguínea - mas de qualquer forma se você olhar para cada um daqueles rostos familiares se verá em cada um deles como se um por um fosse uma parte do seu quebra-cabeça.

Há muitos tipos e tamanhos de família, não? A minha é pequena e parece que vem diminuindo com o passar dos anos. Sem querer, meus familiares estão se transformando em estrelas enquanto eu vou seguindo minha passagem, minha missão e minhas metas até o dia em que eu me transforme em estrela também.

Os meses estão passando rápido e o ano está quase acabando. A gente deveria viver este espírito familiar todos os dias, mas parece que somente em vésperas do Natal que recordamos que iremos rever nossos primos, primas, tios, tias, avó, avô, cunhados, cunhadas, mãe e pai. Dentro de minhas crenças, acho lindo ver a família toda reunida em uma véspera ou dia de Natal. Não só neste dia, mas nos aniversários, nas reuniões familiares sem motivo especial nenhum, apenas para uma conversa informal, falar da vida, dos acontecimentos e para saber como o outro está.

E se você fechar os olhos perceberá como é aconchegante dar um abraço em cada um e, de repente, ver que mesmo que o tempo passe eles representam uma parte – ou o todo – da sua história. Estar em família é como voltar pra casa depois de um dia de tormenta, é como voltar a ser criança e não ter medo de ser julgado. É certo que nem todas as famílias são assim tão aconchegantes, que nem todos possam se comunicar tão bem quanto deveriam.

Hoje falo das famílias que “dão certo”; aquelas que estão juntas para o que der e vier; que abraçam as causas de um membro da família; que amparam; que são capazes de dividir seu pão de cada dia em prol de que seu familiar/semelhante não passe por necessidades. Falo das famílias que sentem falta de um integrante de seu ciclo familiar, que sabem que com sua partida um pedaço fica faltando mesmo diante de anos de sua partida. Quando falo destas famílias não deixo de falar um pouco da minha história, de mim e de minha família.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Recado

Não venha com o velho
com frases feitas
e com a mesma malícia.

Não somos os mesmos
já conheço todos os seus passos
e sei onde tudo pode acabar.

Não venha com loucuras
nem reapareça com desculpas
para que logo não possas voltar.

Hoje sei o que quero
não me engano com falsas promessas
não acredito nestas mudanças de comportamento
nem mesmo em súbitos desejos

Não venha com saudades
que eu responderei com cautela
pés firmes plantados na terra
e o coração em estado de alerta.

PS: Me desculpem a demora...aos poucos eu retorno com mais frequência!!
Um abraço a quem me acompanha!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aura romântica

Te espero nesta primavera
Para colocarmos a conversa em dia
Passearmos na Redenção
E deitarmos na grama

Te espero para tomarmos chimarrão
Para juntos darmos gargalhadas
Misturarmos nossas mãos
Braços e pernas

Te espero...
Sem querer esperar
Porque a vida passa
E haverão sempre outras coisas para viver, enquanto você não chegar

Te espero num dia de sol
Pode ser qualquer dia da semana
Qualquer hora
Sem datas marcadas

Faça-me uma boa surpresa
Traga suas histórias
Seus sorrisos, seus abraços
Seus beijos

Traga-me seu aconchego
O seu melhor, suas manias
Suas besteiras, sua seriedade
Sua simples companhia

Esqueça seus medos
Doe-se sem mistérios
Compartilhe...
Construa uma história

Te espero...
E quero que fique
No meu caminho...ao meu lado
Perto do meu coração.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Lembrando de você



Imagem: Kev Mc

Estava assistindo a um capítulo de uma das minhas séries americanas preferidas, quando a personagem principal liga para uma de suas melhores amigas pra dizer que está se sentindo perdida e completamente sozinha. Nesta mesma ligação a minha heroína favorita confessa que acabou por se recordar de um amor do passado e imaginar como seria estar naquela cidade com ele.

Atire a primeira pedra quem nunca fez isso! O que custa são as pessoas confessarem publicamente que um determinado amor do passado – ou quem sabe mais de um amor – volta e meia vem à sua mente por alguma situação. Pode ser em um momento de alegria; naquele show que vocês gostavam de ir; nos passeios no final de semana; naquele cineminha que pegavam pelo menos uma vez por semana; em uma divergência; quando você passa por um momento difícil ou tantas outras ocasiões que se fossem listadas eu poderia me esquecer de alguma.

Nesta maré de lembranças, chego à conclusão de que a gente só lembra de quem teve uma grande importância em nossa história e, também, porque se está sozinho. Mas no caso da personagem principal que comentava anteriormente, era diferente, uma vez que ela se lembrou do “tal” rapaz do passado porque alguma coisa ia mal em seu atual relacionamento.

Eu confesso que sou uma dessas pessoas que carregam algumas saudades momentâneas. Que meus amores do passado nunca leiam essas palavras e, tampouco, acessem minhas crônicas! Um bom exemplo é que às vezes sonho que estou tendo uma conversa super saudável com um deles, acredito porque tínhamos um bom diálogo. Eis que a vida e alguns acontecimentos acabaram por tirá-lo de vez do meu convívio e então foram embora às conversas e a divisão de idéias que pudessem existir entre ambos.

Não sei você, mas sempre que me ocorre algo que julgo ruim ou muito bom ainda hoje, me pego imaginando como seria ligar para essa pessoa e contar tudo o que está mudando minha vida. Queria saber se ele ficaria feliz ou triste, se teria uma palavra de carinho ou algum conselho super sensato. Pura imaginação, porque o tempo – e certamente a intervenção de outros fatores - separam as pessoas que não mantém contato assíduo ou que não possuem mais o mesmo carinho que possuíam antes.

Se arriscasse na área da filosofia, o certo seria concluir que alguns amores vão morrendo pelo caminho e que o passado é bom e bonito, porque está lá atrás. Na medida em que vamos andando pela vida vamos deixando algumas pessoas por este mesmo caminho e sendo deixados, ainda que este não seja o nosso desejo e que tivéssemos lutado contra a maré.

domingo, 25 de outubro de 2009

Eu te amo

Na Zero Hora dominical li a coluna “Previna-se para a surpresa” de Paulo Sant´Ana, em uma espécie de melhores momentos das colunas. Ela havia sido publicada no ano de dois mil, mas parecia que ele tinha a escrito exatamente para o momento que ora vivo. O sábio Paulo Sant´Ana acabava sua coluna concluindo que “da vida só se leva o amor”.

Eu a li com os olhos cheios d´água, intimamente e silenciosamente, concordei com Sant´Ana: no fundo o que conta mesmo é o amor puro e verdadeiro. No amor existem várias formas e amar: àqueles que amam com muito alarde e avisam aos quatro cantos; àqueles que amam em silêncio ou de uma maneira muito tímida.

A minha forma de amar não será igual a sua, mas, ainda assim, no final de tudo a gente só percebe que amava muito a alguém quando percebemos que não o veremos no próximo encontro familiar, na próxima festa ou quem sabe no próximo encontro casual ali na esquina.

É certo que muitos amem sem não ter proliferado a palavra “eu te amo” ou que ame e não pare de falar esta pequena frase um só segundo da vida. De repente me dei conta que eu sempre digo essa frase mágica para minha mãe, mas nunca disse ela para minhas tias e nem mesmo para meu tio que nesta semana partiu inesperadamente sem chance de pedirmos para que ficasse mais um pouco.

Então, ali naquela sala fria, eu disse “eu te amo” bem baixinho para sua alma, sem que eu pudesse ver em seu semblante o esboço do que ele sentiria. Eu nunca disse isso em vida para ele, mas espero que sua alma tenha descoberto entre meus pequenos gestos que eu amava vê-lo sorrindo, amava saber que ele era um daqueles raros homens que sabia cozinhar bem, que achava lindo ele ter descoberto o verdadeiro amor da vida dele, que amava até o jeitão dele calado e meio sem jeito de estar em meio a tantas mulheres - nossa família tem muita mulher, assim ele dizia.

Se a gente leva da vida só o amor, então da próxima vez que você ver seus familiares, seus entes queridos, não se esqueça de demonstrar seu amor por eles e quem sabe, se der, diga “eu te amo”.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Instinto maternal


Imagem: http://www.photos8.com

Quando se é uma menina, aos quinze anos de idade, você deseja ser adulta, no entanto é chamada de adolescente. No meu tempo - parece que hoje em dia está voltando à moda - as meninas comemoravam esta fase com uma festa de quinze anos onde a garota representaria essa passagem através da substituição do sapato baixo pelo sapato de salto alto e de uma valsa com seu pai e, se a menina tivesse namorado, com o seu primeiro namorado. Mas havia outras garotas que contavam com a participação de garotos amigos para lhe tiravam para dançar e, dessa forma ela entrava para o mundo das festas e da sociedade.

Uma menina nesta fase jamais iria imaginar gerando e cuidando de um bebê. Bom, exceto com o passar do tempo as adolescentes foram ficando mais precoces e começaram a descobrir todos os prazeres possíveis e inimagináveis sem que ninguém, seja pai ou mãe, precisasse lhe apresentar ou lhe mostrar a sociedade através de um festa/baile de quinze anos. Contudo, ainda na minha época, as meninas com as quais eu tinha contato e amizade era como, anteriormente, eu estava descrevendo.

Eis que se passam mais uns anos e a menina inicia outra fase de sua vida, pós segundo grau, o que já era pura transformação, nesta temporada ela se via diante de uma faculdade ou de seu primeiro emprego. Pronto, estava começando sua fase adulta convivendo com um monte de gente que parece ver o mundo por vezes de uma forma complexa. São milhares de descobertas, pessoas distintas que trazem outras tantas informações, situações que a menina ainda não viveu e que, de repente, nem seria igual.

Todavia, aos 20 anos boa parte da população feminina, resolve aventurar-se nas “baladas da vida”. Entre as buscas de uma jovem mulher está: terminar a faculdade, se estabilizar no emprego ou encontrar o emprego os sonhos, se encontrar como ser humano, badalar, beijar muito. Bom, depende o temperamento da garota e de suas expectativas de vida. O tempo vai passar e ela vai encontrar tudo isso ou parte do plano que estabeleceu pra si.

Quando chega e era dos trinta ela vai enxergando que a qualidade é fundamental e não só a quantidade. Qualidade de vida; qualidade em relacionamentos - sejam eles de amizade ou de amor – qualidade no trabalho e tantas outras percepções que ela passa a ter. O superficial já não é o bastante e o que ela quer mesmo da vida? Quem sabe um caminho parecido com o que seus pais construíram há anos atrás: ela quer construir uma família.

A menina virou mulher. Se antes ela nem se via gerando um rebento, hoje ela olha com encantamento para os rebentos espalhados pela cidade. Claro, nem todos os rebentos são animadores. Porque não é todo adulto que sabe educar uma criança. Ainda assim, como é belo ver uma mulher gerar uma vida e depois de meses enxergar aquela vida em seus braços; passar noites acordada – puxa isso é um problema não? - por preocupação ou por simplesmente não acreditar que foi capaz de gerar outro ser humano. Como é mágico passar o tempo e ver seu rebento dar os primeiros passos e suas primeiras palavras.

O parecer que ora tenho da vida é que a magia sempre está pairando pelo ar. E que esse tal de instinto maternal, se ainda não te “beliscou”, um dia ainda irá te beliscar.

sábado, 3 de outubro de 2009

Quando alguma coisa se perde


Imagem: André Teixeira

Muitas coisas se perdem (e se ganham) no percurso da vida. E tem aqueles dias em que a gente acorda com a sensação de que alguma coisa se arruinou. Ao sentir isso parece que fica uma espécie de vazio no peito e a idéia do que “era antes, já não é mais”. Muitas coisas se perderam pelo caminho, mas o que mais dói é perceber que o que foi perdido foi uma amizade ou pessoas que você gosta muito.

Não sou boa com perdas, mas quem o é? Há aqueles que digam que perder prepara a gente para a vitória, mas vamos falar a verdade, ninguém quer sair perdendo toda vez que se propõem a algo, toda vez que se expõe. Não gosto de deixar de ganhar em uma competição ou em uma seleção. Quando quero alguma coisa realmente, não aprecio “nadar contra a maré e morrer na praia”.

Impressionante como as fotos guardam um poder especial sobre nós, não? Pense comigo: um belo dia você está sem nada para fazer ou, ainda, está com aquele espírito saudosista, pega seus álbuns e começa a rever momentos vividos. Revendo algumas fotos, de repente me senti um pouco perdedora. Alguém já disse por aí que nosso maior tesouro são as pessoas que conquistamos à beira de nossa passagem e, por isso, confesso que perdi (ou será que estou perdendo?) estes tesouros significativos para mim, sem saber o “porque” e nem “quando”.

Aquelas fotos que você vai revendo e revivendo, contêm os sorrisos destas pessoas e um brilho no olhar que hoje de repente podem parecer distantes delas quando você as revê em um encontro casual ou naquelas festinhas de amigos e família. Ninguém é feliz constantemente, mas confesso que sinto saudades de estar ao lado destas pessoas e sentir que estou sendo acolhida por elas como antigamente. A discrição me impossibilita de dar-lhes nomes aqui, mas é através das palavras que posso fazer minha reflexão diante desse estado de “perda total”.

Se pudesse confessar e, já constatando, sinto falta de nossas risadas, o compartilhar de idéias, de sentir que minha presença é esperada e desejada, do aconchego e do carinho. Sinto, ainda, a ausência da divisão de ideais, de ficar acordada até de manhã na praia em sua companhia, de ficarmos deitadas lado a lado rindo de qualquer bobagem por relembrar acontecimentos passados. Ah, não esquece que sinto carência, também, da gente jogando conversa fora naquele programa de mensagens instantâneas, de me sentir sendo a primeira pessoa para quem você conta suas conquistas e para quem você pede uma opinião.

Quantas vezes choramos juntas? Ao telefone as melhores e as piores notícias...as cartas que trocamos e os cartões de natal e ano novo. Você já deve ter pensado tudo isso e tido a vontade e ligar para seu amigo pra confessar todas estas verdades que ora confesso. Mas o que acredito é que nada disso o tempo apaga, mesmo que sua (ou seu) amiga/ amigo se esqueça de repente e que a vida acabe por atropelar todas essas coisas maravilhosas, ainda assim, em algum cantinho da alma tudo isso vive e espera por reencontrar nos olhos daquele alguém que dedico essa escrita.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O que todo mundo merece




O que todo mundo merece é passear sem destino
Um dia de sol lindo
Uma boa companhia
Alguém para conversar
Dar boas risadas de si e dos outros
Não levar maldades no coração
Ser feliz com o que se tem.

O que todo mundo merece é ter sorte
Sorte de viver uma vida sem segredos
E se estes existirem que sejam bons segredos,
daqueles que a gente só conta para aqueles que torcem pela gente
Sorte de alcançar os maiores desejos
De abraçar alguém e sentir que o mundo está em paz e que não há hora melhor do que este momento.

O que todo mundo merece é banho de chuva
Passeio com os amigos
Ida ao cinema
Conversa jogada fora
Ouvir as melhores canções
Comprar um novo cd, dvd ou um novo livro
E acreditar que a vida é imitada nas grandes obras de ficção.

O que todo mundo merece é receber um abraço
Daqueles em que parece que o ar vai faltar
Em que os corpos se unem
Em que os corações passam a bater no mesmo compasso
E que num instante as palavras somem da boca, porque nem elas saberiam expressar ou traduzir tal sensação.

O que mais todo mundo merece?
Se não a vida que cada um escolhe pra si
Nada a ver com riquezas
Belezas vazias
Solidão...
A vida que realmente vale a pena, mas que nem todo mundo sabe dar o verdadeiro valor.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Como folha de papel



Imagem: Diguits

Como folha de papel em banco
Reescrevo meu novo capítulo
Sem idéias de que tipo de história posso contar
Se serei moça ou bandida
Ou se eu serei algo mais que uma simples pessoa perdida

Como uma folha de papel eu encaro a vida
Arte de reinventar um cotidiano
De reescrever a vida e movimentar o mundo
Um mundo criado só para mim
Diante de um jardim que me acolhe a qualquer momento

Uma folha de papel ofício, com direito a ter lápis e borracha
Para tentar apagar as marcas de outros capítulos mal escritos
Marcas que nunca se vão
Algumas já esquecidas ou envelhecidas pela ação do tempo

Folha de papel perfumada
Tal qual papel de carta que colecionava quando era criança
Época boa da vida, sem preocupações descabidas
Sem o sentimento de ilusão

Não posso passar a limpo a vida que quero pra mim
Só posso reinventar caminhos quando eu os percebo sem saídas
Não posso voltar atrás
Só posso limpar as feridas e seguir adiante
Não posso evitar as lágrimas
Só posso secá-las e seguir sorrindo

Como uma folha de papel eu posso deixar mensagens por toda minha vida
Mensagens de amor...
Mensagens de paz...
Agradecimentos, esperanças e alegrias.

sábado, 19 de setembro de 2009

Vontades



Imagem: Luis Montemayor

Há dias em que a gente tem “vontade de nada”. Um dia daqueles em que coisa alguma nos preenche e que ficamos sem rumo...uma simples vontade de nada. E esse anseio deixa a impressão que estamos sem forças e que os acontecimentos lá fora estão passando rapidamente, tornando tudo muito difícil de acompanhar neste ritmo desenfreado. Nesses momentos queremos o tudo e o nada simultaneamente: queremos o concreto ou o abstrato; queremos uma vontade passageira ou um desejo profundo; o doce ou o salgado.

Nos meses de nada o universo ao redor fica sem cor, como se tudo perdesse um pouco de sua graça. Não é tristeza é simplesmente a vontade de nada. Não se quer sair lá fora, a inspiração é pouca, interagir dá preguiça e comentar o que se passa nesse universo tão particular está fora do planejado.

A vontade é de perder parte da memória. Apagar missões fracassadas, abortar pensamentos velhos encontrar a verdadeira paz dentro de si. Se o corpo é o nosso templo sagrado é preciso que haja um pouco de serenidade e um oásis dentro deste mesmo templo singular.

Sorte que essa vontade dá e passa. Que não somos invadidos por ela todos os dias da semana e nem todos os meses. É que nos dias de sol a vida nos parece mais colorida como ela realmente deveria ser sentida cotidianamente. Quando esse jeito de sentir a nossa existência se muda de nossas mentes e sentidos, a gente entende o tempo e os caminhos que devemos seguir.

São milhares de questionamentos, mas todos com respostas que estão somente dentro de nós. Sempre haverá aquela situação em que nos sentiremos “nadando contra a corrente só pra exercitar” como dizia Cazuza. Mas é que cada um tem sua crença, suas vontades e seus sonhos tão fortes, que não segui-las seria como assassinar-se ou machucar-se de uma forma muito dolorosa. Por isso, não tema sua vontade de nada, pois como já dizia minha avó e hoje me diz minha mãe, nada como um dia após o outro.

domingo, 13 de setembro de 2009

Desfrute o presente

Imagem: Photos8

Aproveite o presente
seja feliz da sua maneira
sorria, brinque, pule e dance
não olhe para atrás

Aproveite o que tiver para o dia de hoje
à primeira vista pode parecer que tudo seja igual,
mas de qualquer forma o presente
é o melhor momento que temos

Desfrute o tempo do agora
abrace e beije
ame e perdoe
descubra novas sensações,
novos grupos e maneiras de se comportar

Perceba a felicidade
pequenas partículas que compõe o todo
provindo de encontros e alguns desencontros
oportunidades...
e é desse presente que nasce uma porção de coisas

Desfrute com o presente o nascimento do futuro
o esquecimento do passado
o resgate de grandes amizades
que por algum motivo ficaram suspensas no tempo
a percepção de novos sentimentos
e a gana de abraçar a tudo de novo que a vida lhe oferta em cada segundo.

domingo, 6 de setembro de 2009

Esperar da vida

Imagem: Lilith Ecate


O que eu espero da vida
é um algo mais inesperado
um presente...
espero bom tempo
espero sorte
sonhos e encontros

O que eu espero da vida
não conto a ninguém
desejo profundamente
luto constantemente

Não espero, eu batalho
luta (des)armada sem fim
com perdas e dores
sentindo as feridas e adquirindo cicatrizes

O que eu espero da vida
pode ser que não ocorra
mas não há no mundo quem não espere algo
e eu continuo esperando...
conquistando ou retornando sem nada nas mãos

Nestas mãos vazias trago toda a esperança
e no rosto o sorriso que a dor ainda não me arrancou
o mesmo que ilumina meu próprio caminho
e encanta aos que me enxergam além desta armadura cotidiana

O que espero da vida
não posso comprar
objetivo sem explicação
constante transpiração

Não espero o "mais"
mas não quero o "menos"
quero o "inteiro"
nada pela metade
quero o verdadeiro
não quero mentiras ou falsidade
quero o amor e não a banalidade

O quero da vida é somente a alegria
dias de esperança
concretizações sem fim
meus olhos brilhando
meu coração em festa
a vida me esperando todos os dias de braços abertos
e um sentimento bom e inesperado
se tornando concreto dentro mim.

domingo, 30 de agosto de 2009

Atrasados

Imagem: Lu Lu the killer

No ônibus esta semana ouvi uma senhora protestar que estava sempre atrasada, eu logo pensei que muitas vezes me sinto exatamente dessa maneira: atrasada. O indivíduo atrasado começa a sua saga desde que nasce: se é gêmeo e veio por último, já chegou ao mundo atrasado; se não é gêmeo, mas o parto previsto para aquela data e hora de vir ao mundo atrasou, me desculpe informá-lo, mas você faz parte do clã dos atrasados!

Estar atrasado é sempre assim: você pega as coisas pela metade, tenta acompanhar a multidão adiantada, corre e corre, no entanto parece que nunca chega lá. Como quando você conhece um homem (ou mulher) interessante e no final das contas ele opta por outra, pode acreditar você já chegou atrasado ao coração dele/dela. Parece “karma”: é “um tal” de gente passando na sua frente pra cá e pra lá que parece que nunca a sua hora finalmente vai chegar. Aí o atrasado aprende a não querer mais se apressar, porque não tem jeito, já está atrasado mesmo, não irá ter importância alguma correr para chegar ao seu destino.

Não irá fazer a menor diferença correr para disputar um lugar no cinema ou no teatro e, se quiser acelerar para, de repente, fazer com que o rapaz mais charmoso ou a menina mais charmosa do ambiente possam lhe notar, porque minha amiga ou meu amigo essas coisas para pessoas atrasadas não funcionam. Pode apostar que esses indivíduos maravilhosos estarão de olho no outro rapaz e na outra menina que conseqüentemente saltarão antes aos olhos de sua oportunidade de amar.

Contudo, pode ser que o atrasado não saiba que sofre de um auxílio do divino ou de uma profunda sorte eterna, pois estar atrasado irá lhe salvar muitas vezes de pegar um ônibus que sofra um acidente, por exemplo. Ou quem sabe lhe salve das filas fenomenais de shows ou parques, ou de casar com um homem (ou uma mulher) incapaz de oferecer um carinho sincero, de dar risadas de uma situação engraçada, de calar nos momentos certos, de puro companheirismo e doses de romantismos.

Concluindo, estar atrasado nas artimanhas do amor é poder experimentar e acabar encontrando finalmente o “chinelo velho para o pé torto”, não no seu momento ou quando sua carência e hormônios estão berrando por dentro, mas sim no momento do “senhor tempo” o sábio de todas as coisas (é o que dizem!). É parece que realmente não é tão ruim estar atrasado!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O meu amor


O meu amor deve estar por aí...em qualquer esquina ou com alguém
O meu amor pode ser passado ou futuro
Não sei quem é e onde pode estar o meu amor.

Queria que ele estivesse aqui
Que me convidasse para um cinema, observar as pessoas no parque, cantarolar uma canção ou apenas sentarmos lado a lado.
Por onde anda o meu amor?
Por que ele se esconde de mim?

O meu amor é tudo que preciso e o nada ao mesmo tempo
Ele é sólido, manso e por vezes ardente
Ele é o consolo para os dias mais difíceis
A brisa fresca para os dias mais quentes
O ombro e o colo
Ele é o sorriso e a soma de tudo que me acontece no dia-a-dia,
E mais do que isso, é com ele que divido minhas frustrações, minhas ilusões, alegrias e a vida propriamente.

Por onde andará meu amor?
O que ele faz que não pode estar aqui?
E assim fico a esperar a mágica surgir em qualquer olhar
Tento não me distrair ou me angustiar, na esperança de encontrá-lo.

Foto: http://www.photos8.com/girl_and_sunset_3-wallpapers.html

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Canção


Uma canção tem o poder de mexer conosco e por isso, digo que a vida não teria graça sem a música. Basta você colocar os fones no ouvido e deixar o coração se levar por àquela melodia que te faz lembrar coisas inimagináveis. Vamos fazer um exercício: coloque aquele CD especial ou quem sabe a velha “bolacha preta” no velho toca discos e, feche seus olhos...aposto que irá retornar a sua memória a primeira vez que saiu sozinho, sem seus pais, pelas ruas da cidade; quem sabe recordará da primeira festa que foi com alguns amigos e acabou por encontrar um sujeitinho que não era da sua turma e ficaram horas e horas falando dele e de você com um final interessante por ter deixado ele encostar os lábios dele nos seus.

E na viagem de uma canção alguém sempre se lembrará do primeiro amor, àquele que foi embora por uma razão ou outra, mas que não partiu por completo da mente, apenas deixou-se adaptar as novas formas de vida ficando guardado num canto qualquer de um imenso coração. A música pode levá-lo aos mais escondidos cantos de dor já vivenciada, a dor que não mata, mas que traz a gente de volta à vida com mais força e um pouco mais arredio.

Não pense que a canção só vai lhe conduzir a isso, ela pode trazer de volta momentos felizes, ao pensar em rostos não mais vistos no corre-corre do dia-a-dia. E ela vai lhe fazer embarcar na promessa de dias coloridos, pelo simples fato de deixar-se embalar por uma música faceira, com acordes que agitam as batidas do coração. E alguma música dessas irá fazê-lo recordar dos amigos de velha data ou os mais recentes. Alguém disse que os amigos é a família que a gente escolheu para si, diferente dos irmãos de sangue que já vem no pacote “pai e mãe”.

E a quantidade de amigos pouco importa, eu penso é na qualidade. A vida e a sorte são minhas grandes aliadas nessa escolha de grandes parceiros que apareceram na minha história, grandes amigos a quem eu posso chamar de irmãos e que imagino que assim sou para eles. Muitas canções me fazem lembrar destes meus amores todos os dias. Me lembro de um quando sento no tapete verde da Redenção, quanto faço um chimarrão, quando falo uma expressão que só poderia ter aprendido com o tal amigo. Quando caminho pelo campus da universidade em que me graduei, me recordo de poucas e boas, de risadas nos corredores, de confissões e de ajudas mútuas; com eles eu posso ser o que eu quiser: ser mocinha, bandida, criança, adolescente e estar simplesmente em casa.
 
E não importa onde eu estiver, os levo comigo, no meu pensamento e na sensação de que estão aglomerados no meu peito vivenciando ao meu lado todos os momentos possíveis. Nas minhas vitórias e derrotas eu me lembro deles, alguns me doam seus colos, seus ombros, seus abraços e me dão a certeza como videntes do tempo de que tudo vai acabar bem e que as dores irão passar. Eu falava de canção e acabei por me perder entre meus amigos, talvez porque nesta hora estivesse ouvindo uma dessas canções que faz lembrá-los.

Foto: http://www.photos8.com/art-desktop-wallpapers.html

É a hora!

Para quem me conhece de longa data sabe que eu sempre gostei de me aventurar na área das palavras. A "combinação de letrinhas" sempre foi minha vávula de escape, minha maneira de compreender os momentos de minha vida e tudo mais que estava ocorrendo no mundo ao meu redor.
Agora é o momento de expor essa maneira particular e despretenciosa de ver a vida e, tudo mais, que acontece comigo, mas que pode de repente ter ocorrido ou estar acontecendo com você.
Pode ser que você goste ou não, mas tudo bem, nem sempre a gente vai agradar a todos não é mesmo? Boa leitura e espero te ver sempre por aqui!