domingo, 25 de outubro de 2009

Eu te amo

Na Zero Hora dominical li a coluna “Previna-se para a surpresa” de Paulo Sant´Ana, em uma espécie de melhores momentos das colunas. Ela havia sido publicada no ano de dois mil, mas parecia que ele tinha a escrito exatamente para o momento que ora vivo. O sábio Paulo Sant´Ana acabava sua coluna concluindo que “da vida só se leva o amor”.

Eu a li com os olhos cheios d´água, intimamente e silenciosamente, concordei com Sant´Ana: no fundo o que conta mesmo é o amor puro e verdadeiro. No amor existem várias formas e amar: àqueles que amam com muito alarde e avisam aos quatro cantos; àqueles que amam em silêncio ou de uma maneira muito tímida.

A minha forma de amar não será igual a sua, mas, ainda assim, no final de tudo a gente só percebe que amava muito a alguém quando percebemos que não o veremos no próximo encontro familiar, na próxima festa ou quem sabe no próximo encontro casual ali na esquina.

É certo que muitos amem sem não ter proliferado a palavra “eu te amo” ou que ame e não pare de falar esta pequena frase um só segundo da vida. De repente me dei conta que eu sempre digo essa frase mágica para minha mãe, mas nunca disse ela para minhas tias e nem mesmo para meu tio que nesta semana partiu inesperadamente sem chance de pedirmos para que ficasse mais um pouco.

Então, ali naquela sala fria, eu disse “eu te amo” bem baixinho para sua alma, sem que eu pudesse ver em seu semblante o esboço do que ele sentiria. Eu nunca disse isso em vida para ele, mas espero que sua alma tenha descoberto entre meus pequenos gestos que eu amava vê-lo sorrindo, amava saber que ele era um daqueles raros homens que sabia cozinhar bem, que achava lindo ele ter descoberto o verdadeiro amor da vida dele, que amava até o jeitão dele calado e meio sem jeito de estar em meio a tantas mulheres - nossa família tem muita mulher, assim ele dizia.

Se a gente leva da vida só o amor, então da próxima vez que você ver seus familiares, seus entes queridos, não se esqueça de demonstrar seu amor por eles e quem sabe, se der, diga “eu te amo”.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Instinto maternal


Imagem: http://www.photos8.com

Quando se é uma menina, aos quinze anos de idade, você deseja ser adulta, no entanto é chamada de adolescente. No meu tempo - parece que hoje em dia está voltando à moda - as meninas comemoravam esta fase com uma festa de quinze anos onde a garota representaria essa passagem através da substituição do sapato baixo pelo sapato de salto alto e de uma valsa com seu pai e, se a menina tivesse namorado, com o seu primeiro namorado. Mas havia outras garotas que contavam com a participação de garotos amigos para lhe tiravam para dançar e, dessa forma ela entrava para o mundo das festas e da sociedade.

Uma menina nesta fase jamais iria imaginar gerando e cuidando de um bebê. Bom, exceto com o passar do tempo as adolescentes foram ficando mais precoces e começaram a descobrir todos os prazeres possíveis e inimagináveis sem que ninguém, seja pai ou mãe, precisasse lhe apresentar ou lhe mostrar a sociedade através de um festa/baile de quinze anos. Contudo, ainda na minha época, as meninas com as quais eu tinha contato e amizade era como, anteriormente, eu estava descrevendo.

Eis que se passam mais uns anos e a menina inicia outra fase de sua vida, pós segundo grau, o que já era pura transformação, nesta temporada ela se via diante de uma faculdade ou de seu primeiro emprego. Pronto, estava começando sua fase adulta convivendo com um monte de gente que parece ver o mundo por vezes de uma forma complexa. São milhares de descobertas, pessoas distintas que trazem outras tantas informações, situações que a menina ainda não viveu e que, de repente, nem seria igual.

Todavia, aos 20 anos boa parte da população feminina, resolve aventurar-se nas “baladas da vida”. Entre as buscas de uma jovem mulher está: terminar a faculdade, se estabilizar no emprego ou encontrar o emprego os sonhos, se encontrar como ser humano, badalar, beijar muito. Bom, depende o temperamento da garota e de suas expectativas de vida. O tempo vai passar e ela vai encontrar tudo isso ou parte do plano que estabeleceu pra si.

Quando chega e era dos trinta ela vai enxergando que a qualidade é fundamental e não só a quantidade. Qualidade de vida; qualidade em relacionamentos - sejam eles de amizade ou de amor – qualidade no trabalho e tantas outras percepções que ela passa a ter. O superficial já não é o bastante e o que ela quer mesmo da vida? Quem sabe um caminho parecido com o que seus pais construíram há anos atrás: ela quer construir uma família.

A menina virou mulher. Se antes ela nem se via gerando um rebento, hoje ela olha com encantamento para os rebentos espalhados pela cidade. Claro, nem todos os rebentos são animadores. Porque não é todo adulto que sabe educar uma criança. Ainda assim, como é belo ver uma mulher gerar uma vida e depois de meses enxergar aquela vida em seus braços; passar noites acordada – puxa isso é um problema não? - por preocupação ou por simplesmente não acreditar que foi capaz de gerar outro ser humano. Como é mágico passar o tempo e ver seu rebento dar os primeiros passos e suas primeiras palavras.

O parecer que ora tenho da vida é que a magia sempre está pairando pelo ar. E que esse tal de instinto maternal, se ainda não te “beliscou”, um dia ainda irá te beliscar.

sábado, 3 de outubro de 2009

Quando alguma coisa se perde


Imagem: André Teixeira

Muitas coisas se perdem (e se ganham) no percurso da vida. E tem aqueles dias em que a gente acorda com a sensação de que alguma coisa se arruinou. Ao sentir isso parece que fica uma espécie de vazio no peito e a idéia do que “era antes, já não é mais”. Muitas coisas se perderam pelo caminho, mas o que mais dói é perceber que o que foi perdido foi uma amizade ou pessoas que você gosta muito.

Não sou boa com perdas, mas quem o é? Há aqueles que digam que perder prepara a gente para a vitória, mas vamos falar a verdade, ninguém quer sair perdendo toda vez que se propõem a algo, toda vez que se expõe. Não gosto de deixar de ganhar em uma competição ou em uma seleção. Quando quero alguma coisa realmente, não aprecio “nadar contra a maré e morrer na praia”.

Impressionante como as fotos guardam um poder especial sobre nós, não? Pense comigo: um belo dia você está sem nada para fazer ou, ainda, está com aquele espírito saudosista, pega seus álbuns e começa a rever momentos vividos. Revendo algumas fotos, de repente me senti um pouco perdedora. Alguém já disse por aí que nosso maior tesouro são as pessoas que conquistamos à beira de nossa passagem e, por isso, confesso que perdi (ou será que estou perdendo?) estes tesouros significativos para mim, sem saber o “porque” e nem “quando”.

Aquelas fotos que você vai revendo e revivendo, contêm os sorrisos destas pessoas e um brilho no olhar que hoje de repente podem parecer distantes delas quando você as revê em um encontro casual ou naquelas festinhas de amigos e família. Ninguém é feliz constantemente, mas confesso que sinto saudades de estar ao lado destas pessoas e sentir que estou sendo acolhida por elas como antigamente. A discrição me impossibilita de dar-lhes nomes aqui, mas é através das palavras que posso fazer minha reflexão diante desse estado de “perda total”.

Se pudesse confessar e, já constatando, sinto falta de nossas risadas, o compartilhar de idéias, de sentir que minha presença é esperada e desejada, do aconchego e do carinho. Sinto, ainda, a ausência da divisão de ideais, de ficar acordada até de manhã na praia em sua companhia, de ficarmos deitadas lado a lado rindo de qualquer bobagem por relembrar acontecimentos passados. Ah, não esquece que sinto carência, também, da gente jogando conversa fora naquele programa de mensagens instantâneas, de me sentir sendo a primeira pessoa para quem você conta suas conquistas e para quem você pede uma opinião.

Quantas vezes choramos juntas? Ao telefone as melhores e as piores notícias...as cartas que trocamos e os cartões de natal e ano novo. Você já deve ter pensado tudo isso e tido a vontade e ligar para seu amigo pra confessar todas estas verdades que ora confesso. Mas o que acredito é que nada disso o tempo apaga, mesmo que sua (ou seu) amiga/ amigo se esqueça de repente e que a vida acabe por atropelar todas essas coisas maravilhosas, ainda assim, em algum cantinho da alma tudo isso vive e espera por reencontrar nos olhos daquele alguém que dedico essa escrita.