domingo, 20 de dezembro de 2009

Frutífera árvore natalina



Imagem: wallpapersbrasil

Então é natal...não, não irei cantar a canção que se eternizou na mente do mundo, até porque eu não me atreveria. Natal guarda uma porção de significados: quando eu era criança era sinal de que minha mãe teria dinheiro para comprar o que eu passava o ano todo sonhando; quando cresci um pouco mais, era a certeza da família reunida e para ver o brilho no olhar de meu avô e minha avó quando meu tio chegava. Eles amavam todos os filhos, mas eram encantados pelo filho homem, assim como minhas tias e mãe eram encantadas no meu tio - não adianta, os homens da família exercem grande magia para sua mãe, pai e irmãs.

Eis que se passaram mais anos, e o natal tinha cheiro de novidades no ar. Os primos cresceram, algumas mudanças e surgiram pessoas novas para compartilhar o momento. Todos foram bem-vindos e isso ajudava a gente a esquecer que meu avô e avó não estavam mais presentes na ceia de natal. Com a maturidade eu comecei a crer que o natal era muito mais do que presentes trocados, essa loucura insana das pessoas nas lojas gastando o que podem e o que não podem. Natal não pode ser somente isso!

Hoje sentada no sofá imaginando como será minha ceia de natal – certamente haverá aquele momento de vazio, saudade, algo inevitável quando você percebe lugares vazios à mesa – só posso crer que o natal é o momento em que a gente deveria abraçar mais. Não espere um presentão e nem um presentinho, mas deseje ardentemente que as pessoas passem a ajudar umas as outras. Pode ser uma ajuda afetiva, alguma ação que não envolva dinheiro, objetos materiais ou quem sabe ajudar alguém em seu caminho tortuoso.

Na minha árvore de natal eu quero colher são os frutos da verdade, da amizade, do amor verdadeiro, do respeito e do carinho mutuo. Óbvio que não adiantará de nada esperar que todas as pessoas carreguem isso consigo e em seus olhares, até porque, me desculpe, mas este mundo anda muito carente destas pessoas. Tenho uma teoria de que para cada 10 pessoas em uma sala, é possível, que haja apenas duas que carreguem esta beleza dentro do coração. Que triste não?

De qualquer forma, se você quer uma árvore de natal mais carregada de frutos bons, faça a sua parte: estenda a sua mão e coloque alguém “perdido” em seu real caminho. Parece bíblico isso, mas o real significado do natal “people” é lembrar que não somos apenas carne e sim espírito. Que existe uma força maior no universo, que pode ser Deus, Buda, Krishna ou Oxalá e que junto desta força há Àquele que nasceu há muitos anos atrás trazendo seus exemplos de sabedoria, amor, fraternidade nos acolhendo com seus ensinamentos e curando nossas feridas de alma.

Como seria bom se todas as coisas ruins cessassem na noite de natal e que as pessoas mudassem seus pontos de vistas egoístas; que de repente a vida fosse como era antes com sabor de infância; que houvesse mais igualdade; que a gente pudesse andar sem medo nas ruas; que também não temesse amar e ser amado; que não houvesse tantos joguinhos entre homens e mulheres e que a casca que carreamos não fosse tanto importante, mas sim o que levamos por dentro, nossa criação e ensinamentos. Eu teria uma listinha infindável de pedidos e tenho absoluta certeza, de que você aí do outro lado também tem a sua. Não são pedidos pra Papai Noel, ele não é astro principal da noite de natal – embora a gente aprenda desde criança que ele é o vovô feliz que nos traz presentes – mas são pedidos para o universo e para as duas forças maiores que conto todos os dias de minha vida. Feliz Natal e que em 2010 a vida possa mudar pra melhor e que hajam boas surpresas para compartilharmos em forma de verso ou de crônica.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Saudades



Imagem: Giu arndt

Quando eu sentir saudades de você irei cantar uma canção
Irei declamar um verso
Irei olhar as nuvens no céu
Irei encarar o sol de frente

Quando de repente me bater uma saudade da tua companhia
Irei deitar em uma grama verde
Espalhar meus cabelos sobre ela
Ouvir dos pássaros uma cantiga especial

Se eu sentir tua falta em uma manhã ou tarde qualquer
Irei pensar que no mundo não vive somente eu e você
Há muitas pessoas neste nosso mundo de Deus
E que o tempo não iria parar para que pudesse nos esperar

Pensando em você
Imediatamente irei lembrar de um semblante infantil
Uma peripécia inocente
Uma tarde de domingo descompromissada

Quando eu pensar em você
Sempre irei pensar com muito carinho
Não sei porque, mas é isso que me despertas
E que a gente acabou seguindo cada qual um caminho

Um dia de sol
Uma noite estrelada
Uma primavera florida
Um mar de ondas tranqüilas

Sempre irei pensar em você
E quando pensar não será um peso
Será sempre uma pergunta
A qual nunca terei resposta.

PS: Essa época nos deixa saudosos...estava andando de ônibus pela cidade, num dia de sol e de repente me lembrei...veio-me na mente a canção daqueles dias e assim nasceu eternizou-se este poema! Um beijo para vocês que gostam de doces palavras...e doces lembranças!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Rodar a baiana é bom



Imagem: milliondollarbabymovie.warnerbros.com/images/

Nas conversas na madrugada estava conversando com uma amiga sobre a maravilha de “rodar a baiana”. Se você não sabe o que significa essa expressão – o que acho difícil – no meu entendimento rodar a baiana é você não levar desaforos para casa.

O indivíduo que não leva desaforos para casa deve ser realmente mais feliz. Não me incluo nesse rol de “rodadores de baiana” porque não exercito essa arte. Estou no rol dos que acabam sendo mais cordiais ou que mais tarde se culpam por não ter dito algumas poucas e boas para quem pisoteou nos meus “calos”.

Então eu seria mais feliz se da última vez eu tivesse dado meu recado “nu e cru” para o sujeito que me disse o que bem quis sem ter lhe dito o que eu pensava. E o que penso é profundo, o indivíduo não compreenderia. Não entenderia que pessoas profundas como eu não saem falando bobagens a torto e a direita para quem não mereça – para amigos a gente pode ser livre para falar o que pensa.

Certamente a pessoa não perceberia que os valores de vida são diferentes e que passei da fase de infantilidade/adolescência. A busca desse lado da vida adulta é forte e ferrenha, mas sem jamais perder a doçura. Não pediria que me compreendesse, mas deveria ter dito que segundas oportunidades são para ser requisitadas quando você realmente tem algo importante e inovador para dizer.

No mercado das oportunidades há muitos na fila sem nem planejar ao menos o que irá fazer para chegar lá. No resumo da ópera são muitos querendo uma chance, mas sem pensar que do outro lado há um coração, uma pessoa, um universo e também um desgaste de tempo e de energia, quando voltamos ao passado, para resgatar algo que nem deveríamos olhar para trás.

Mil verdades eu deveria ter dito, mil verdades eu não falei. Acho que até mesmo eu perdi a minha chance, algo que só acontece de anos em anos. Algo que eu nunca saberei. Concluo que passei para o final da fila, resta-me em outra oportunidade decidir mais uma vez se eu irei para o rol dos “rodadores” ou daqueles que se mantêm frios e intactos como se nada tivesse acontecido (mas com o coração dilacerado até a última veia).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Família



Imagem: Galeria de NotYeTheDodo

Nesta época em que as relações parecem muito superficiais e em que a família foi se transformando ao longo do tempo, ainda tenho o sentimento de que família é fundamental. A gente não a escolhe - não a sanguínea - mas de qualquer forma se você olhar para cada um daqueles rostos familiares se verá em cada um deles como se um por um fosse uma parte do seu quebra-cabeça.

Há muitos tipos e tamanhos de família, não? A minha é pequena e parece que vem diminuindo com o passar dos anos. Sem querer, meus familiares estão se transformando em estrelas enquanto eu vou seguindo minha passagem, minha missão e minhas metas até o dia em que eu me transforme em estrela também.

Os meses estão passando rápido e o ano está quase acabando. A gente deveria viver este espírito familiar todos os dias, mas parece que somente em vésperas do Natal que recordamos que iremos rever nossos primos, primas, tios, tias, avó, avô, cunhados, cunhadas, mãe e pai. Dentro de minhas crenças, acho lindo ver a família toda reunida em uma véspera ou dia de Natal. Não só neste dia, mas nos aniversários, nas reuniões familiares sem motivo especial nenhum, apenas para uma conversa informal, falar da vida, dos acontecimentos e para saber como o outro está.

E se você fechar os olhos perceberá como é aconchegante dar um abraço em cada um e, de repente, ver que mesmo que o tempo passe eles representam uma parte – ou o todo – da sua história. Estar em família é como voltar pra casa depois de um dia de tormenta, é como voltar a ser criança e não ter medo de ser julgado. É certo que nem todas as famílias são assim tão aconchegantes, que nem todos possam se comunicar tão bem quanto deveriam.

Hoje falo das famílias que “dão certo”; aquelas que estão juntas para o que der e vier; que abraçam as causas de um membro da família; que amparam; que são capazes de dividir seu pão de cada dia em prol de que seu familiar/semelhante não passe por necessidades. Falo das famílias que sentem falta de um integrante de seu ciclo familiar, que sabem que com sua partida um pedaço fica faltando mesmo diante de anos de sua partida. Quando falo destas famílias não deixo de falar um pouco da minha história, de mim e de minha família.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Recado

Não venha com o velho
com frases feitas
e com a mesma malícia.

Não somos os mesmos
já conheço todos os seus passos
e sei onde tudo pode acabar.

Não venha com loucuras
nem reapareça com desculpas
para que logo não possas voltar.

Hoje sei o que quero
não me engano com falsas promessas
não acredito nestas mudanças de comportamento
nem mesmo em súbitos desejos

Não venha com saudades
que eu responderei com cautela
pés firmes plantados na terra
e o coração em estado de alerta.

PS: Me desculpem a demora...aos poucos eu retorno com mais frequência!!
Um abraço a quem me acompanha!