segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Enredada

Imagem: Jorge.Carriel

Sofro de um mal de família, o de sentir muito frio. Não há nada melhor do que ficar enrolada em um edredom em frente ao meu microcomputador, até mesmo na cama lendo algum livro ou assistindo a um filme bem romântico. O cinema é um de meus prazeres, todo o tipo de filme – menos terror – mas não há nada gostoso do que assistir a um filme romântico.

Uma de minhas cronistas preferidas escreveu certa vez que apreciava às vezes assistir a um filme do gênero drama para chorar e, após, voltar à vida normal com um pouco menos de tristeza ou de saudade. Talvez eu assista ao gênero romântico quando ache que o mundo ao meu redor esteja carecendo de romance ou de sensibilidade.

É certo que o mundo não é como um filme romântico. Somos todos adultos e descobrimos com o passar dos anos, quando despencamos na vida adulta, que o mocinho pode ser o bandido e a que mocinha nem sempre quer ser “feliz para sempre”. O mundo não é um conto de fadas como aqueles que lemos na infância e que se deixam impressos em nossas almas; os príncipes não são encantados; as princesas não são inocentes e nem todas são loiras.

O que existe no mundo real é a diversidade de raças, de caráter, de credo, de intenções e tantas outras coisas que poderia enumerar. Um homem e uma mulher podem buscar a mesma coisa ou coisas diferentes em um encontro e até no relacionamento que irão levar adiante. Se enganar diante dos fatos irá depender da predisposição de cada um.

Por mais que hoje estejamos bem mais saidinhos, que haja a liberação sexual, que muitos queiram sair por aí para beijar muitas bocas e deitar em muitas camas, ainda assim, haverá um ou mais de um, na multidão desejando um pouco mais do que o superficial ou casual. O que se quer mesmo? Acordar em uma cama conhecida, despertar do lado “dela” ou ao lado “dele” que você reconhece como é pelo simples fato da maneira de pisar ao chão.

O que se quer é o simples, o trivial. Caminhar de mãos dadas despreocupadamente em um parque qualquer, conversar sobre coisas banais e sorrir bem alto e despretensiosamente. O que se quer é que tudo seja natural, que os sentimentos falem mais alto e a razão seja posta de lado. Que amor e envolvimento tivessem mais a ver com o que o outro representa e não com suas características físicas ou com o que ele possui em sua conta bancária.

Isso tudo fica mais belo e palpável no enredo de um filme. Quem nunca se imaginou dentro de um filme? Meu talento nato para imaginação me faz imaginar toda vez que vivo uma situação engraçada de que eu sou um personagem destes de comédia romântica. Uma daquelas personagens um tanto desajeitadas que o telespectador assiste torcendo para que ela se encontre, para que descubra o que ainda não percebeu e que, ao final do filme haja um bom “happy and” envolvendo essa adorável personagem.

Certo que tudo é possível e ainda existe! Certo que sonhar é bom e que permaneço enredada em meu edredom macio ao som de uma canção que embala minhas palavras. Viver é correr riscos, tomar decisões o tempo inteiro e, às vezes, refletir com relação aos últimos passos dados. Ninguém saberá o dia de amanhã, nem os próximos capítulos de nossa história inédita, mas qualquer maneira vamos a escrevendo sem chances de repetir a cena ou de que ela acabe estrelando em uma tela de cinema.