segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Caminhando para alguma direção



Imagem: Google


São trezentos e sessenta e cinco dias e nem todos os dias a gente sorri, chora, se desespera, se preocupa, ama, odeia ou reclama. O tempo passa mais rápido quando desembarcamos na vida adulta e como consequência a urgência nos exige que vençamos algo que às vezes não compreendemos muito bem o que significa este “algo”, apenas vamos trilhando nossas vidas para alguma direção.

E que direção é esta? Você já parou para pensar? Só quando acaba o ano é que a gente senta, descansa, contempla o pôr do sol (ou a lua) e pensa se aquelas metas foram atingidas ou se conseguimos chegar a algum destino que idealizávamos no final do ano que passou. No último mês do ano as pessoas estão ocupadas, estão correndo, estão enlouquecendo, porque precisam bater suas metas, necessitam comprar ou consumir.

Será que todo o final de ano é igual? Certamente não, se nem um ano é igual a outro, os finais de ano também guardam sua particularidade. A bem pouco tempo o mês de dezembro era um momento de sentar e chorar... All Right, um pouco de dramaticidade faz parte daqueles que tem em seus corações e na mente o dom para poesias!

Eis que a mudança e o amadurecimento batem à porta. E o sentimento atual, é de que este é o momento de visualizar os acontecimentos e esta época de maneira diferente. Vamos agradecer. Eu sei que se você teve um ano difícil, se de repente perdeu alguém que amava, pode ser que não consiga enxergar razões para agradecer, mas ainda assim, volte seus pensamentos para algo maior que acredite na tentativa de esquecer suas dores internas e ao fato de que às vezes é difícil a gente aceitar nossas perdas.

Se perdeu alguém, seja grato pelo tempo que passou com esta pessoa. Já faz tempo que acredito que as convivências não são por acaso e que apesar de toda a dor que nos invade quando um ser amado parte para um lugar que no momento não podemos estar juntos novamente - não como era antes – ainda assim, devemos rezar e acreditar que este amor nunca morre, pois um dia nos reencontraremos em outra estadia que não esta.

Agradeça, também, se tudo foi um tanto complicado. É da dor e das tempestades que nascem as melhores ideias e a vontade de mudar o jogo. São destes momentos que veem a força para nos reerguermos mais fortes e com mais fé de que somos capazes.

Através destas palavras faço, claramente, meus agradecimentos. Eu fui, vi e venci. Vi um mundo que jamais imaginei ver, abracei, sorri, gritei - e como gritei - senti medo, fui ridícula - não vou contar aqui o momento mais ridículo! - e interagi. Nos primeiros raios solares que surgiram no céu lá estava eu contemplando aquela luz invadindo todo o céu enquanto eu sobrevoava a big city então desconhecida. Agradeço minha frenética e especial companhia, agradeço por ter cumprido a meta de ter ido além do horizonte e ter atravessado oceanos para abraçar novamente duas antigas amigas.

Só pode ser bom terminar um ano sentindo amor. E que amor é esse? Amor feito de cada coisa vivida nesse ano que está se despedindo. Amor recente pelo anjo que entrou na minha vida e que vou acompanhá-lo até o dia em que eu não estiver mais aqui. Amor colhido do orvalho da concretização da união que presenciei, das aventuras que vivenciei, do chão que eu pisei, de todos os sorrisos que distribui, do abraço apertado recebido quando chorei de saudade, do primeiro sorriso recebido do anjo ruivinho que vive em uma cidade linda e ensolarada, distante deste nosso oceano e que ainda não conhecia, por rever quem eu já estava morrendo de saudade, da amizade que ganhei quase sem querer e que se mostra um presente dos céus. Amor por amores antigos e novos, amor por minha mãe e grande companheira.

Vamos brindar a vida, vamos agradecer o aqui e o agora. Vamos pensar no presente e deixar de nos preocupar com o futuro. O futuro é construído todos os dias, com nossas ações ou com a falta delas. Por isso, se você não venceu hoje, pode vencer amanhã; se não alcançou tudo o que queria, faça por onde, lute, se jogue, ame e não espere que as coisas caiam do céu.

Não culpe as pessoas se no momento você não consegue ver o azul do céu e, tampouco, não se pergunte por que o outro tem o que você não, pois cada um faz a sua estrada e, com certeza você não faz ideia do que o outro fez para estar onde está. Siga seu caminho, siga seus instintos. Conte com quem está do seu lado te estendendo a mão, os ouvidos, seu tempo e seus verdadeiros sentimentos e acredite que ainda há muita gente boa lá fora de braços abertos para você (ainda que ao seu lado não estejam todas elas, mas um número razoável para você fechar os olhos e sentir muito grato).

Dezembro não é o fim, na verdade é hora de você parar de correr e repensar algumas coisas, limpar sua mente e prosseguir. Fomos feitos para progredir apesar de toda adversidade. Diante de toda a positividade, eu poderia pedir para Dezembro ficar mais um pouco. “Fique aí um pouco mais meu amigo, sente-se e não tenha pressa”. Sentada diante de Dezembro, com um copo de café estilo starbucks sobre a mesa e muitos sorrisos eu confessaria a ele que estou um tanto temerosa. “Caro Dezembro estou com medo do futuro, será que isso pode?” O meu simples desejo é que uma redoma de luz proteja a todos que não posso proteger, que meus amores que estão espalhados por estas ruas, cidades ou pelo mundo prossigam bem e felizes. Em um ano muita coisa pode mudar e depois de todo o agradecimento ainda peço (antes de me despedir): Que o que foi construído neste agora permaneça por anos a fio sem que os laços se desfaçam e nos separem (se assim for) nesta longa caminhada.

domingo, 3 de novembro de 2013

O tempo e os fatos




 Imagem: Google




“Há tempo para tudo”. “O tempo cura tudo”. Estas são as frases mais ditas por você ou por mim... e quem nunca ouviu ou disse isso antes? O fato real é que o tempo não apaga ou cura tudo, ele apenas nos ensina ou acomoda/aquieta as coisas que sentíamos antes com maior intensidade.

O tempo não aniquila as decepções, as distâncias e os erros. Elas ficam registradas como marcas que identificamos fortemente quando nos deparamos com situações repetitivas ou que nos parecem semelhantes com as vividas anteriormente.

Apesar de constatar que sempre há tempo, ao que parece não há ocasião para corrigir o que já está feito. Não há como apagar as palavras ditas e as ações já tomadas. Não podemos voltar no tempo. Eis que não há mais tempo.

O tempo senhor da razão. E onde será que vive essa razão? E todas as respostas? Talvez com as ideias ou com as sutis ações que não nos damos conta no dia a dia.

E há quem não pense no tempo ou que não o registre. Pouco importa, pois a hora é agora. Ainda assim, seremos engolidos pelo tempo. Todos os momentos, todos os planos e as idealizações.

O tempo nos separa. Percebe-se no tic-tac do relógio, toda vez que o dia se apaga e a noite se acende. O tempo vai nos engolindo.

O tempo este gigante. Não há como fugir. Estamos seguindo direções opostas...quando foi que nossas direções foram as mesmas? É o tempo carregando todas as memórias.

É o tempo nos levando embora...
Mas para onde?
Para onde vou?
Para onde vai?

Um segundo, um minuto, uma hora se passou
É o tempo dando sua resposta
Já estamos partindo
Todos os dias...

E quando um dia acordar
Já teremos nos fragmentado
É claro que vou me lembrar
O tempo me engana e resgata sua memória a todo o momento

O tempo...
Outros tempos...
Partidas e chegadas
Estou na plataforma do tempo.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Segunda opção

Imagem: Google



Certo tempo atrás uma amiga - que não irei nomear - me comentou que às vezes se sentia “a segunda opção”. Aquela afirmação bateu fundo em meus pensamentos, talvez porque tenha me colocado na posição dela e por tentar imaginar os momentos em que a gente se sente a segunda opção.

Vamos ser francos que ninguém gosta de ser a segunda opção. Chegar ao segundo lugar, ainda que nossos pais e alguns professores tenham nos ensinado que, também, é louvável e que temos certo valor, ainda assim, dói e não é nada empolgante.

Queremos ser “a bolacha mais recheada do pacote”; queremos ser lembrados; esperados; ser aquela pessoa que o outro lembrará para contar sua grande novidade. Sim, queremos ser os primeiros.
E o que fazer quando se é a segunda opção? Reclamar? Esbravejar? Deprimir? Lembro-me que falei para minha amiga que, certamente, ela não seria uma segunda opção para algumas pessoas de seu convívio e que diariamente deveríamos fazer um exercício de aceitação às opções do outro.

Ela contrapôs com alguma resposta ao meu argumento e respondi: “Pois é, eu sei que não é fácil”. Talvez não seja fácil por conta de nosso “ego”. Quem não gosta de se sentir amado? Preferido? É o quadro perfeito você pensar: “amo, logo sou amado da mesma maneira”. Nunca precisei disputar o amor de minha mãe, mas para quem tem vários irmãos deve ter aprendido que essa equação nem sempre é assim!

Seguimos em nosso diálogo eu e minha amiga. Disse a ela que infelizmente (ou felizmente) as relações não são uma estrada de pista uniforme, às vezes ela possui curvas e alguns buracos que machucam um pouco nossos sentimentos. Às vezes a mesma estrada que você constrói para o outro trilhar ao seu lado, não é exclusiva e nem sempre você vai ser o primeiro a ser lembrado para compartilhar aquela grande novidade ou aquela dor que o outro esteja passando.

Primeira ou segunda opção todo mundo é, foi ou será alguma vez na vida. Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema que falava dessa equação desigual: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria...”, no caso da minha amiga ela falava de outro tipo de segundo lugar, aquele que a gente não reclama, mas que, de alguma maneira, vai consumindo a gente um pouco por dentro; aquele em que você se sente do lado de fora da vida da pessoa que da sua parte você deixa as portas escancaradas da sua vida para ela entrar.

Arrisco dizer que no fim a gente acaba organizando as pessoas de diversas formas: haverá aquelas que você sabe que te darão um super colo; outras que te darão um “xingão” daqueles que era bem o que você precisava ouvir; outras serão mais compreensivas; umas mais sentimentais ou nem tanto; algumas te chamarão para andar pela cidade e distrair a mente; outras te chamarão para fazer parte da vida delas no primeiro contato e outras nunca se abrirão por completo.

O que não disse para minha amiga é que até mesmo eu já tive – e algumas vezes ainda tenho – esta impressão. Eu sei que ela responderia rapidamente que sou “top”, mas digo que desconheço quem seja “Top of  Mind” em todas as situações.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Convite


Imagem: Google

Entre, pode entrar
Fique à vontade
Por favor, feche a porta
Já que lá fora está frio e a confusão impera

Sente-se em qualquer lugar
Preencha estes espaços
Coloque uma música para tocar
Me diga o que estou esperando ouvir

Se aproxime de mim
Chegue mais perto
Me aqueça por dentro
Com um abraço que jamais provei igual

Vamos conversar sobre qualquer assunto
Vamos planejar
Vamos sonhar
Vamos ser o agora

Entra e pode ficar
Não há outra coisa que eu queira fazer hoje
Não é preciso falar mais nada
O olhar e o toque já nos disseram tudo

Fique quanto tempo quiser
Não é preciso contar o tempo
Vamos juntos unir este quebra-cabeças
Construir uma ponte para o que ainda nos separa

Lá fora o mundo parou
Não nos interessa mais nada
Somos eu e você
Somos um
Somos nós

Mundo particular
História sem fim
Do que somos feitos?
E o que nos atrapalha?

Entra, eu já estava esperando
Você parado na porta
Sorriso aberto
Braços estendidos
O presente e o futuro feitos para nós.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Antecipação




 
Imagem: Google


Eis que um dia não nos veremos mais
Pode ser que igualmente não nos falemos
Que não exista a mesma sintonia

Daqui alguns anos
Daqui a alguns meses
Dias, horas ou minutos

Não haverá o mesmo reconhecimento
As lembranças daqueles momentos
Não existirão as mesmas gargalhadas

Eis que um dia caminharemos em sentidos opostos
Estaremos em direções em que não haverá mais oportunidade
 para cruzamos a mesma estrada
Viveremos vidas e ocasiões diferentes

E o que fazer?
Respeitar seu tempo
Aceitar o que sempre temi por este percurso
Simplesmente seguir em frente

Eis que um dia pode ser que não nos reconheçamos
Que se jogue fora todos os cartões escritos
Todas as poesias
Todas as fotos registradas

E que se esqueça de todas nossas conversas,
fatos e besteiras
Todo o tempo compartilhado
Todas as manias e comportamentos tão típicos meus ou seus

O abraço apertado nos momentos de medo, dor ou alegria
A palavra amiga e a visão sobre tal assunto que ninguém mais poderia saber analisar
A vibração diante de todas conquistas particulares
A lágrima feliz e emocionada por reconhecer a vitória do outro

Eis que este dia possa chegar...
Com dor no coração e na alma
E uma sensação de desconforto inexplicável

Eis que este dia possa nos encontrar...
Eis que nunca esteja preparada...
Eis que não veja o tempo passar...
E que não haja tempo ou lugar para ver este dia chegar... 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dar e Receber



Imagem: Google


 

Quem dá sempre quer receber em troca e na mesma moeda. Sendo humanos queremos, sim, receber o mesmo afago, a mesma consideração e atenção. Engana-se quem diz que não ou que profere que seu “dar” não é com a intenção de receber algo em troca. Vamos ser sinceros, o altruísmo é algo muito difícil de exercitar.  Não há muitos destes exemplares abnegados por estas esquinas e ao que parece eles se quer existem na atualidade.

Queremos mesmo é que a moeda do bem resulte no bem, que o tempo dedicado a alguém brote no mesmo tempo que outro alguém vai lhe dar na mesma intensidade e com igual vontade. E que o mesmo brilho no olhar que você teve ao se abrir para um novo alguém haja ou se reflita nesta pessoa ao se (re)encontrar.

E queremos demais? Desejamos o impossível? Provavelmente sim. Uma vez que não existam pessoas com mesmas intenções ou reações e, em alguns momentos, talvez, nem mesmo exista reciprocidade.

O que realmente há são mundos distintos encontrando-se, pessoas se flexibilizando (quando querem ou lhes convém), outros desistindo ao início ou no meio do caminho e os despreocupados com a tal reciprocidade de ações.

Se na roda dos conselhos me fosse concedida a palavra lhes diria que: não espere nada (ou demais)! Não espere, pois com a espera o sofrer e a desilusão certamente chegarão. Não espere o inesperado e o que jamais virá...e mais que tudo não espere porque cansa!

Contudo, acredite em seus atos, em suas boas intenções, no que transmite ou transmitiu para o próximo e com toda a força de sua verdade. Aliás, é necessário que respeitemos a nossa verdade e, claro, a verdade de outrem. 

Há um provérbio chinês (me perdoem se não for exatamente um provérbio chinês) que diz: “Sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas”. Em minha livre interpretação ousaria devanear que o significado da frase se resumiria na finalidade de demonstrar que ainda que o “pagamento” ou o retorno não seja na mesma moeda, de alguma forma, se está sendo coerente com os próprios sentimentos e se, interessada ou desinteressadamente, deixando o simples rastro do bem.