terça-feira, 30 de julho de 2013

Antecipação




 
Imagem: Google


Eis que um dia não nos veremos mais
Pode ser que igualmente não nos falemos
Que não exista a mesma sintonia

Daqui alguns anos
Daqui a alguns meses
Dias, horas ou minutos

Não haverá o mesmo reconhecimento
As lembranças daqueles momentos
Não existirão as mesmas gargalhadas

Eis que um dia caminharemos em sentidos opostos
Estaremos em direções em que não haverá mais oportunidade
 para cruzamos a mesma estrada
Viveremos vidas e ocasiões diferentes

E o que fazer?
Respeitar seu tempo
Aceitar o que sempre temi por este percurso
Simplesmente seguir em frente

Eis que um dia pode ser que não nos reconheçamos
Que se jogue fora todos os cartões escritos
Todas as poesias
Todas as fotos registradas

E que se esqueça de todas nossas conversas,
fatos e besteiras
Todo o tempo compartilhado
Todas as manias e comportamentos tão típicos meus ou seus

O abraço apertado nos momentos de medo, dor ou alegria
A palavra amiga e a visão sobre tal assunto que ninguém mais poderia saber analisar
A vibração diante de todas conquistas particulares
A lágrima feliz e emocionada por reconhecer a vitória do outro

Eis que este dia possa chegar...
Com dor no coração e na alma
E uma sensação de desconforto inexplicável

Eis que este dia possa nos encontrar...
Eis que nunca esteja preparada...
Eis que não veja o tempo passar...
E que não haja tempo ou lugar para ver este dia chegar... 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dar e Receber



Imagem: Google


 

Quem dá sempre quer receber em troca e na mesma moeda. Sendo humanos queremos, sim, receber o mesmo afago, a mesma consideração e atenção. Engana-se quem diz que não ou que profere que seu “dar” não é com a intenção de receber algo em troca. Vamos ser sinceros, o altruísmo é algo muito difícil de exercitar.  Não há muitos destes exemplares abnegados por estas esquinas e ao que parece eles se quer existem na atualidade.

Queremos mesmo é que a moeda do bem resulte no bem, que o tempo dedicado a alguém brote no mesmo tempo que outro alguém vai lhe dar na mesma intensidade e com igual vontade. E que o mesmo brilho no olhar que você teve ao se abrir para um novo alguém haja ou se reflita nesta pessoa ao se (re)encontrar.

E queremos demais? Desejamos o impossível? Provavelmente sim. Uma vez que não existam pessoas com mesmas intenções ou reações e, em alguns momentos, talvez, nem mesmo exista reciprocidade.

O que realmente há são mundos distintos encontrando-se, pessoas se flexibilizando (quando querem ou lhes convém), outros desistindo ao início ou no meio do caminho e os despreocupados com a tal reciprocidade de ações.

Se na roda dos conselhos me fosse concedida a palavra lhes diria que: não espere nada (ou demais)! Não espere, pois com a espera o sofrer e a desilusão certamente chegarão. Não espere o inesperado e o que jamais virá...e mais que tudo não espere porque cansa!

Contudo, acredite em seus atos, em suas boas intenções, no que transmite ou transmitiu para o próximo e com toda a força de sua verdade. Aliás, é necessário que respeitemos a nossa verdade e, claro, a verdade de outrem. 

Há um provérbio chinês (me perdoem se não for exatamente um provérbio chinês) que diz: “Sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas”. Em minha livre interpretação ousaria devanear que o significado da frase se resumiria na finalidade de demonstrar que ainda que o “pagamento” ou o retorno não seja na mesma moeda, de alguma forma, se está sendo coerente com os próprios sentimentos e se, interessada ou desinteressadamente, deixando o simples rastro do bem.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Esperas


Imagem: Google

Agora te espero sem esperar
Estamos por todas as ruas de qualquer cidade
Descemos alamedas
Cruzamos esquinas

Percorremos caminhos diferentes ou parecidos
Porém distantes um do outro
Vivenciamos situações cotidianas

Fases diferentes?
Desejos distintos?
Sentimos o mesmo sol sobre a pele
À noite as estrelas brilham
e iluminam nossos caminhos

Os parques nos esperam
Calçadas esperam nossos passos
Músicas antes ouvidas esperam por nós
Em qualquer final de tarde
Ou em qualquer começo de dia

Um mundo repleto de esperas
Em que nossas bocas esperam sorrisos
Esperam balbuciar nossos nomes
Aguardam a troca de beijos

O tempo não se detém
A vida não nos aguarda
Todos os dias cultivando nossas buscas
Compreendendo nossas escolhas
Ajustando nossa rota diante dos tropeços

Há tantos caminhos
Não arriscaria o palpite em qual destes atalhos
Você ou eu estamos...permanecemos

Se estamos longe, perto ou perdidos
Se são poucos passos que farão
cruzarmos essa linha do horizonte

Todos os amanheceres...
Todos os fins de tarde...
Todas as noites...

Sem mais esperas...
Sem mais penas...
Sem mais...sem nada...