domingo, 12 de janeiro de 2014

Second chance (Segunda chance)


Imagem: Google


O assunto sobre voltar no tempo sempre causou interesse. Quem nunca pensou em voltar no tempo? Ou quem nunca quis ter o dom ou possuir uma máquina que o levasse ao passado ou futuro? Assisti despretensiosamente a um filme que me pegou de jeito. A história do garoto desajeitado que aos vinte e um anos é presenteado pelo pai com a informação de que os homens daquela família tem um dom, o de viajar ao passado como uma segunda oportunidade de mudar pequenas coisas que no primeiro momento o nervosismo e a falta de preparo acabam por estragar as ações (reações) diante dos fatos.

Cada homem daquela família ao descobrir seu dom tinha uma espécie de objetivo que os guiava para voltar ao passado e modificar suas ações, o mote do menino era o amor. Encontrá-lo, ser notado, viver o sentimento especial que ninguém está preparado, mas que ainda assim, deseja viver. Tenho que confessar que o que me tocou não foi exatamente a busca do personagem pelo amor, mas o desenrolar da história que me trouxe algumas reflexões. 

Em certo momento, Tim o homem ruivo e desengonçado, já vivenciando uma vida adulta longe da casa dos pais, conhece uma garota muito interessante que ao que tudo indica seria finalmente seu amor ideal. Encontram-se pela primeira vez em um restaurante, em uma situação inusitada, ele pede seu telefone e ali se estabelece a promessa de uma ligação, encontros e dias felizes. Porém, ao chegar em casa Tim encontra seu amigo desolado por que algo deu errado para ele, e o que ele faz? Volta no tempo para ajudar ao amigo. Ele consegue modificar a realidade do amigo, mas perde a chance de dar continuidade ao relacionamento amoroso que sempre desejou.

Quantos amigos seus perderiam algo importante para estar ao seu lado? Quantos abririam mão de algo para poder te ver um pouco mais feliz? Um ou nenhum? Quem irá saber? Somente quando a situação chegar você irá descobrir se existe algum destes raros exemplares "para o que der e vier" a quem chamamos: amigo.  Certa vez li em algum lugar que amigo era um familiar que a gente escolhe. Ele não é de seu sangue, não cresceu com você (alguns sim), ele não dividiu a mesma mãe e nem o mesmo pai com você, não é seu primo/prima, de repente não tem a mesma etnia e nem a mesma cor de seus olhos, mas você o ama como se tivesse saído de sua família sanguínea ou como se tivesse todas as características citadas, mesmo que não as tenha.

Para terminar as reflexões que o filme me causou a certa altura do filme ocorreu uma situação em que Tim - já casado, pai de família - fica fragilizado ao perceber que poderia perder sua irmã que ainda vivia um tanto fora da realidade adulta, pois estava sempre às voltas com seu namorado problemático e saindo de seus empregos como quem muda de camiseta. Ele tenta ajuda-la, óbvio, voltando no tempo. Não vou contar o que aconteceu para Tim no retorno dessa viagem ao passado, mas a lição que ele aprendeu, também, me fez pensar. 

A personagem principal chega à conclusão que ajudar sua irmã voltando no tempo mudaria sua história - com certas consequências - no entanto, e o que teria mais valor seria se ela passasse por tudo o que deveria vivenciar naquele momento para que, com suas próprias decisões, enxergasse o que lhe faz bem e o que não lhe serve mais. A resposta é que ainda que deseje com todas as forças, um mundo melhor para àqueles que amamos, não há como protegê-los constantemente, como mudar suas escolhas, suas dores ou suas decepções. 

Ser o apoio para todos os momentos é algo que nunca deixamos de ser, mas realmente a vida é necessária ser vivida por nossos amores amigos, nossos irmãos para que eles adquiram seus discernimentos a respeito do que lhes convém ou não. Filmes como este causam vários pensamentos, poderia ficar falando sobre outras impressões que tive, mas a vida também me chama e, infelizmente (ou felizmente) não tenho o dom de voltar no tempo...viver ainda é improviso!