terça-feira, 19 de junho de 2012

Estranho



Imagem: Google

Em uma pesquisa rápida na internet a expressão “causar estranheza” pode ser traduzida de algumas maneiras: “armar enredos; intrigar; malquistar; enredar ocultamente”. No espanhol a palavra “extraño” é a tradução livre de nosso tão falado vocábulo “saudade” que não existe em nenhum outro idioma.

E a dúvida que assola minha mente nestas últimas semanas é o que é “o estranho”? Com absoluta certeza o estranho para mim não é o mesmo que para você. Já falamos aqui tantas vezes sobre o fato de que as sensações e os sentimentos são tão distintos de pessoa para pessoa que você do outro lado poderia dizer que continuo “chovendo no molhado” ou “batendo na mesma tecla”.

O estranho de tudo é que por mais que você se proteja das coisas que teme, ainda assim vai se ver diante delas mais dia ou menos dia. Já dizia uma canção dos Titãs: “não há guarda-chuvas contra o amor...”. O que há neste mundo são seres que se arriscam até o fim e outros que fogem ao primeiro ponto de dúvida ou por se sentirem ameaçados.

Discorri sobre a vida adulta há alguns meses atrás, isso me remete que nem todo mundo está preparado para ela. Fala-se muito em idade, mas hoje, para mim, o que está contando mais é a idade da alma e das atitudes. Seu corpo, sua aparência jovial ou mais madura, sua data de nascimento, nada terão a ver se não tiveres uma idade mental correspondente a sua realidade diante de suas atitudes e de acordo com todo este conjunto.

Ninguém é obrigado a ser maduro em tudo, mas é estranho que os seres humanos nos dias atuais estão preferindo assumir uma postura adolescente, mesmo quando já passaram desta época. Não há mal nenhum em ser adulto, em assumir seus próprios atos, em se falar sempre a verdade doa a quem doer, acredito que a transparência dos atos fazem qualquer ser humano um sujeito mais íntegro e feliz.

Enganar-se é a arte de quem vive. Você anda por aí, conhece pessoas, aposta em histórias, mas nem sempre irá acertar em todas suas apostas. De qualquer maneira dizer a realidade nua e crua quando cruzar o caminho de alguém é a postura mais acertada, pois afinal não somos uma ilha. E quando envolve a vida e o sentimento de outrem, creia que pular fora e virar as costas sem dizer nada não serão atitudes corriqueiras que outro indivíduo vá compreender imediatamente.

Antoine de Sant-Exupéry deixou de herança sua frase mais famosa: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E te tornas mesmo...o que me parece que na atualidade as pessoas vão passando umas pelas outras sem nem pensar que do instante em que você se permite entrar na vida do outro e que este entre na sua existe um grau de responsabilidade que não morre como que por encanto. Não é preciso que se viva eternamente gostando de um certo alguém, mas que haja um tipo de respeito e um comprometimento diante do outro para o “sim” e/ou o  “não”...para o início e/ou para o fim.